Medicina AGES

O curso

O curso é de Educação Integral, cujo o foco é o desenvolvimento humano, cidadania ativa, ética, humanização, desenvolvimento da região e promoção do bem-estar coletivo. Nesse sentido, utiliza critérios da interdisciplinaridade, contextualização da informação e de experiências previas do aluno, apoiadas no professor como facilitador do processo, levando-se em conta as questões sociais da saúde, com ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS).

Eixos temáticos

Eixo A – Orientação Teórica – os determinantes de saúde e à determinação biológico-social da doença, estudos clínico-epidemiológicos, ancorados em evidências capazes de possibilitar a avaliação crítica do processo saúde-doença e de redirecionar protocolos e intervenções.

Eixo B – Cenários de Práticas – agregando-se ao processo de aprendizagem, além dos equipamentos de saúde, equipamentos educacionais e comunitários.

Eixo C – Orientação Pedagógica – utilização de metodologias de aprendizagem ativas e interativas que tenham o estudante como sujeito desse processo e o professor como facilitador. A problematização está colocada como elemento orientador da busca do conhecimento e habilidades que respaldem as intervenções para trabalhar as questões apresentadas, tanto do ponto de vista da clínica quanto da saúde coletiva. Aponta, também, como necessidade o desenvolvimento do aprender a aprender.

    Novos desafios profissionais exigem metodologias de ensino mais aperfeiçoadas. O curso de Medicina da Faculdade AGES utiliza o que há de melhor em metodologias ativas, além de processos de aprendizagem baseada em problemas e em equipes. Estes são os caminhos mais indicados pelas melhores escolas de Medicina no Brasil e no mundo.
    O internato do curso de Medicina da Faculdade AGES auxilia no fortalecimento das competências e das habilidades dos estudantes que, somadas à formação técnica sólida e abrangente oferecida pela instituição, permitirão o pleno desenvolvimento deste profissional para atuação prática no trabalho. A experiência no internato é ferramenta fundamental para a sua formação.
    O currículo do curso de Medicina da Faculdade AGES, atento às demandas pedagógicas contemporâneas, diferencia-se daqueles mais tradicionais com o ensino de disciplinas isoladas. As competências são desenvolvidas por meio de disciplinas integradas que garantem um conhecimento mais aprofundado acerca dos elementos essenciais à formação de médicos e médicas capazes de atuar com excelência.

#MedicinaAGES

Campus Jacobina
Avenida Centenário, 300B
Nazaré – Jacobina (BA)

Calendário Acadêmico

2017.2

Sobre o curso

Tendo em vista os pressupostos das Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, os pressupostos do perfil geral para todos os profissionais formados pela AGES, o perfil profissiográfico de formação médica na AGES, o graduado em Medicina terá formação generalista, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença.

Para a consecução do perfil profissiográfico o graduado em medicina da AGES será orientado à competência profissional conforme se segue:

– aprender de forma autônoma e independente com capacidade para a autoavaliação, a aprendizagem continuada e o espírito científico que o conduza à observação, à análise e produção de novos conhecimentos, tecnologias, serviços e produtos capazes de se apresentarem como soluções para os problemas de saúde da população;

– aprender formas diversificadas de atuação profissional, com domínio de conhecimentos e habilidades necessários à Vigilância à Saúde, a atuação em nível primário e secundário de atenção à saúde, a solução dos problemas prevalentes de saúde e ao primeiro atendimento das urgências e emergências;

– atuar inter/multi/transdisciplinarmente, com capacidade de comunicação interpessoal e de comunicação com grupos e comunidades;

– comprometer-se com a preservação da biodiversidade no ambiente natural e construído, com sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida;

– gerenciar e/ou incluir-se em processos participativos de organizações públicas e/ou privadas, fazendo-se merecedor da confiança que lhe será dispensada na interação com os colegas médicos, com outros profissionais da equipe de saúde e com a comunidade;

– pautar-se na ética e na solidariedade como ser humano, cidadão e profissional, portador de visão social do papel do médico, compromisso com a cidadania, levando-o a aceitar atividades de planejamento, gestão e política de saúde que lhe forneçam os meios para atingir seus objetivos profissionais;

– buscar maturidade e sensibilidade ao agir profissionalmente, demonstrando equilíbrio emocional, apto para lidar com suas próprias dificuldades existenciais e capaz de transmitir, à comunidade e aos pacientes, a confiança e a segurança indispensáveis ao exercício da profissão médica.

Uma estrutura curricular, pautada em referenciais teórico-conceituais e político-filosóficos como os já apresentados, deve considerar a formação profissional como espaço de emancipação do ser humano e agente social. O sujeito aprendiz é o centro do desenvolvimento do conhecimento na proposição de atividades teóricas ou práticas. Sua história de vida e interação com o ambiente político, cultural e social irão determinar sua relação com os objetos de aprendizagem e definirão seu papel enquanto agente da sua formação. Essa consideração impõe enfrentar, na organização curricular, os efeitos já reconhecidos da divisão disciplinar de conteúdos e sua fragmentação no processo de aprendizagem, que interferem na capacidade de perceber e intervir de forma complexa no cenário da saúde.

Pretende-se que o profissional/discente possa utilizar as respostas individuais aos problemas de saúde durante o processo de formação e, concomitantemente com a vivência nas diversas realidades onde se determina a situação de saúde da população, possa ser instigado à construção de respostas e intervenções sobre o “coletivo”. Essa relação do sujeito aprendiz com as realidades deve ampliar o olhar do futuro agente profissional para o campo da saúde coletiva.

A proposta pedagógica será estruturada a partir de Unidades de Ensino e Aprendizagem (UEA) que são constituídas por um conjunto de temários que deverão ser desenvolvidos com alguma organização sequencial, formatadas para ser desenvolvidas ao longo do período de formação médica. O encadeamento dos núcleos temáticos a serem abordados em cada etapa da formação e os contatos de in loco, determinarão a exposição ao conhecimento e a relação com as vivências e experimentações da realidade que serão programadas na estrutura curricular.

O curso visa a formação do médico generalista, policlínico, capaz de prestar assistência primária de saúde e de exercer a medicina comunitária. Esse médico deverá aplicar, na realização de seu trabalho, conhecimentos básicos das ciências do comportamento e da realidade sócio e econômica que o envolve, bem como assumir atitudes críticas permanentes em relação à dinâmica nosológica e aos sistemas existentes de prestação de serviços de saúde.

 

–  Fixação dos objetivos

 

Os objetivos da proposta apresentada se inserem nas ações e no planejamento estratégico da Faculdade AGES, fundamentada na sua filosofia, missão e princípios gerais, e estando intimamente condicionada:

– Às peculiaridades socioeconômicas e culturais do Estado da Bahia;

– Às características do mercado de trabalho e às necessidades de mudanças do modelo de assistência médica no Brasil;

– Às políticas de saúde loco regional e nacional;

– Às características técnicas e pedagógicas do corpo docente;

– À disponibilidade de recursos materiais e humanos de apoio as atividades de ensino, pesquisa e extensão;

– À necessidade de mudança no modelo de ensino médico, frente às exigências sociais com relação ao perfil do médico brasileiro;

– À necessidade de formar profissionais que estejam integrados filosoficamente e em atitudes aos demais profissionais de saúde;

– À necessidade de utilização de recursos humanos auxiliares no exercício da medicina;

– À necessidade de buscar assessoria pedagógica para instrumentalizar o corpo docente na formação do médico

 

–  Objetivos gerais

 

O Curso de Medicina da Faculdade AGES visa a formar profissionais médicos competentes, enfatizando a:

– formação geral, humanista, ética, crítica e reflexiva, orientada ao desenvolvimento de excelência na prática profissional, por meio da integração teoria/prática e da utilização de uma abordagem construtivista do processo ensino-aprendizagem;

– articulação com os serviços de saúde, pela participação de estudantes e professores na prestação de cuidados qualificados à saúde, nos diferentes cenários e serviços da rede de cuidados progressivos, à luz dos princípios da universalidade, equidade e integralidade; e pela participação de preceptores vinculados aos serviços de saúde na formação dos estudantes;

– articulação ensino-pesquisa-extensão pela construção de novos saberes voltados à melhoria da saúde das pessoas e, por extensão, da qualidade de vida da sociedade.

 

– Objetivos específicos

 

Formar um profissional médico competente tecnicamente, apto a trabalhar em equipes multiprofissionais, a vivenciar a Medicina como uma atividade de Vigilância à Saúde e, igualmente capaz de atender às demandas sociais e do Sistema Único de Saúde (SUS) de forma ética e humanizada, consciente dos desafios da realidade política, econômica e social do Brasil contemporâneo, atuar resolvendo a grande maioria dos problemas de saúde prevalentes na nossa população;

Implementar a conceituação do paciente como ser bio-psiquico-sócio-cultural, enfatizando a relação Médico-Paciente e o atendimento integrado de suas necessidades nestas esferas;

Desenvolver os sistemas de avaliação do processo ensino-aprendizagem, de modo a detectar e corrigir, de forma rápida, os desvios, evitando que se acumulem e comprometam o resultado final do processo;

Contribuir para o desenvolvimento de processos multiprofissionais de ensino, pesquisa e extensão, promovendo a integração com os demais cursos de graduação;

Fundamentada na sua filosofia, missão e princípios gerais, a Faculdade AGES tem como objetivo principal: “Formar profissionais éticos, com noções de cidadania, críticos, empreendedores, socialmente comprometidos, com facilidade de se relacionar e entender seu semelhante e o seu entorno sócio técnico”.

O profissional formado pela Faculdade AGES deverá distinguir-se, entre outros aspectos, por apresentar conhecimento da geografia mundial, compreensão da história mundial, visão multicultural, compreensão das concepções e princípios científicos, comunicação adequada e eficaz, leitura abrangente e domínio das habilidades de compreensão e produção textuais, pensamento lógico e domínio das habilidades de raciocínio, capacidade de pesquisar e de interpretar dados, domínio da linguagem informatizada e das tecnologias correspondentes, pensamento crítico, capacidade de resolver problemas e de lidar com o novo, adaptabilidade e flexibilidade, autodisciplina, capacidade de atuar em colaboração, conduta ética e capacidade de conviver na diversidade.

Com base nas considerações acima é possível estabelecer algumas competências e habilidades para compor um perfil profissional para o egresso da Faculdade AGES, a saber:

– Metacognição;

– Comunicação e expressão adequada, objetiva, clara, nos planos interpessoal da geração e interpretação crítica de documentos e correta do contexto de comunicação no ambiente profissional;

– Utilização do raciocínio lógico, crítico e analítico na formulação de modelos de relações causais entre fenômenos e de argumentações, além da análise da realidade profissional;

– Utilização da compreensão e visão sistêmica na análise de problemas das relações sócio técnicas do ambiente profissional e correta seleção de instrumental de intervenção na solução destes problemas (de forma criativa, flexível, visando objetivos comuns);

– Capacidade de pesquisar, reelaborar e articular informações de fontes diversas, de forma criativa, crítica e contextualizada, objetivando a geração de conhecimento;

– Capacidade de manter-se atualizado e de interpretar corretamente os aspectos legais e éticos pertinentes ao exercício profissional.

Com base nas competências e habilidades desejadas para o egresso da Faculdade AGES é possível definir características comuns ao perfil profissional:

– Formação humanística, desenvolvimento de valores de responsabilidade social, justiça, ética objetivando à correta interpretação do ambiente social nos seus diversos contextos e ao aprimoramento da sociedade;

– Liderança;

– Empreendedorismo responsável e ético;

– Formação acadêmica interdisciplinar, capacidade de análise e ação interdisciplinar;

– Capacidade de atuar efetivamente em equipes.

Fundamentada na sua filosofia, missão, princípios gerais, objetivo geral e no perfil estabelecido para o seu egresso é que a Faculdade AGES traça as diretrizes didático-pedagógicas para o seu curso de Medicina baseando suas atividades de ensino, pesquisa e extensão na missão traçada para si. Essas diretrizes solidificarão e explicitarão a intenção e prática acadêmica a serem desenvolvidas no decorrer da graduação na Unidade.

É dentro deste entendimento que o Projeto Pedagógico do Curso de Medicina da Faculdade AGES, pretende possibilitar não apenas uma reflexão crítica sobre a estrutura e prática pedagógica dentro do curso, segundo seus objetivos, metas e procedimentos mas, principalmente, contextualizar a graduação em Medicina no atual cenário institucional e profissional, à luz dos reclamos nacionais e regionais. Um projeto pedagógico precisa sempre rever o instituído para, a partir dele, instituir o novo e tornar-se instituinte. Esse é o pensar que animou a elaboração do presente projeto e que se espera que o mantenha sempre contextualizado e atual.

A Faculdade AGES tem como aspiração proporcionar condições concretas para a melhoria da qualidade de vida da comunidade de Jacobina e região, direcionando suas políticas e planos de ação rumo à contextualidade da Faculdade, da função político-social que lhe cabe e na contribuição que as ciências que embasam seus cursos e as pesquisas desenvolvidas trarão às instituições, ao sistema produtivo e ao substrato social onde fincou suas raízes. A Faculdade AGES e o Curso de Medicina estão intimamente identificados com a realidade presente da região onde se inserem, com suas possibilidades de desenvolvimento e fazem da sua atuação na área da saúde sua marca ao voltar-se conscientemente para as necessidades sociais, econômicas, culturais, que, supridas, levarão a região ao seu pleno desenvolvimento. Essa integração regional é realizada pela formação de recursos humanos através primordialmente do ensino e, progressivamente, através da pesquisa e da extensão para que possa tornar-se a pedra de apoio cultural, científico e tecnológico da população de Jacobina. A região de Jacobina é composta por 19 municipios, sendo eles: Caém, Caldeirão Grande, Capim Grosso, Jacobina, Mairi, Miguel Calmon, Mirangada, Morro do Chapéu, Ourolandia, Piritiba, Quixabeira, São José do Jacuípe, Saúde, Serrolandia, Tapiramutá, Umburanas, Várzea da Roça, Várzea do Poço e Várzea Nova e conta com cerca de 379.572 de habitantes fixos e uma população flutuante que gira em torno 10.000 habitantes.

 

O município de Jacobina

 

O Município de Jacobina localiza-se na Zona Fisiográfica do Nordeste Baiano, estando totalmente incluído no chamado Polígono das Secas. Jacobina foge aos padrões rotineiros. Isso pode ser observado, inclusive, em sua topografia. O Município encontra-se também localizado na Microrregião Homogênea Piemonte da Chapada Diamantina, entre serras, desfiladeiros, e é caracterizado pela caatinga, vegetação típica da região. Limita-se ao norte: Mirangaba, Saúde e Caem; ao sul: Várzea Nova e Miguel Calmon; ao leste: Serrolândia e Capim Grosso; ao este: Ourolândia. A sede do Município acusa uma altitude de 470,443m e está compreendida nas seguintes coordenadas geográficas: 11º11’8” latitude Sul e 40º28’ longitude W.Gr. O percurso entre a Sede do Município e a capital do Estado é de 330 km.

 

Histórico

 

Foi no século XVII, quando bandeirantes paulistas e portugueses faziam grandes viagens explorando o sertão baiano a procura de metais preciosos, que descobriram ouro, prata e pedras preciosas onde hoje é a cidade de Jacobina. No final do século XVII, com a notícia de riqueza fácil, começou a corrida dos aventureiros à procura do ouro, reunindo assim uma população bastante heterogênea. Foi então que em 1720, o rei Dom João V ordenou a criação da Vila de Santo Antônio de Jacobina, para poder controlar a mineração, clandestina até então, e em 1726 foi criada uma das primeiras casas de fundição de moedas de ouro do Brasil. Em 1880 a vila chegou à categoria de cidade.

Após quase três séculos de exploração, o processo mecânico foi extinto por não ser mais economicamente viável e proibido pelas leis de proteção ambiental, restando apenas os garimpeiros artesanais. Localizada ao norte da Chapada Diamantina, a região denominada de Piemonte da Chapada Diamantina, (justamente por fugir dos padrões topográficos da região) engloba nove municípios, entre eles Jacobina, e possui um belíssimo patrimônio natural ainda pouco explorado. O devassamento e povoação das terras de Jacobina deram-se quando muitos bandeirantes, tanto paulistas como portugueses aqui chegaram ao século XVII. O devassamento do interior baiano, além da implantação de “currais”, tinha também como objetivo encontrar metais preciosos. O primeiro a aqui chegar foi Belchior Dias Moréya – o “Muribeca”. Percorreu os sertões de Jacobina e afirmou ter descoberto minas de ouro, prata, pedras preciosas e salitre. Era neto de Caramuru. Chefiou uma expedição que beirando o Rio Itapicurú mergulhou no sertão, aí permanecendo pelo decurso de oito anos (1595 ou 1596 – século XVI). “Em 1612 embarcou para Portugal e passou até a Corte da Espanha, declarou os valores que havia achado em requerimento, mas não foi atendido e voltou sem efeito ao Brasil.”. Por não querer revelar as minas, foi preso durante dois anos e condenado a pagar 9.000 cruzados, pois, os governadores D.Luíz de Souza (de Pernambuco) e seu primo D. Francisco de Souza (da Bahia), haviam custeado a jornada para encontrar as minas, Pedro Garcia, o “Velho” e outros parentes aconselharam-no que não descobrisse e nem mostrasse as minas, mas pagasse os 9.000 cruzados. Belchior aceitou o conselho e pagou a soma exigida. Foi solto e voltou para as suas fazendas no Rio Real, onde faleceu dois anos depois (1619). Assim, as minas de ouro de Jacobina ficaram desconhecidas por quase mais um século. Belchior D. Moréya deixou por sucessor da sua casa a um filho natural, havido da união com uma índia da aldeia do Jaru, a quem chamavam – Robério Dias. Este, com poucos brios, pouca atividade e temeroso do sucesso de seu pai, não só não quis seguir aquela empresa, senão, também deixou perder todas as memórias e roteiros que tinha deixado seu pai. Em 1652, chega Antônio de Brito Correia, que estabeleceu “currais” que serviram para o seu criatório. Antônio da Silva Pimentel foi o 4º possuidor das terras de Jacobina, que pertenceram antes a Antônio Correia de Brito e Antônio Guedes de Brito. Desejando construir nas terras de Jacobina uma Igreja, pede permissão ao Rei de Portugal, D. Pedro II (1667-1705). O alvará régio data de 7 de maio de 1705. Além destes exploradores citamos ainda: Romão Gramacho Falcão, os irmãos Manoel e João Gadelha, Lourenço de Matos e João Peixoto Veigas.

 

O perfil sócio-epidemiológico do município

 

O município de Jacobina, que sediará o Curso de Medicina Faculdade AGES, tem uma população estimada fixa de 84.577 habitantes, segundo dados do IBGE de 2014, e uma população flutuante estimada em 8.000 habitantes. A expectativa de vida ao nascer é de 59,122 anos; a taxa de alfabetização de adultos é de 0,766; a taxa bruta de frequência escolar é de 0,814; a renda per capita é de 147,381; o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é 0,649 (Figura 1). Situa-se no extremo norte da Chapada Diamantina, região onde as sérias disparidades econômicas e sociais presentes e as diferenças no nível tecnológico, escolaridade e renda per capita contribuem para o estado estacionário de desenvolvimento social e levam ao subdesenvolvimento contínuo.

Figura 1. Fonte – IBGE 2010.

 

O município faz parte da Macrorregião de Saúde Centro-Norte, pertencente à Gerência Regional de Saúde de Jacobina e apresenta-se como polo prestador de serviços em saúde para a microrregião, que compreende os municípios de Caém, Caldeirão Grande, Capim Grosso, Jacobina, Mairi, Miguel Calmon, Mirangada, Morro do Chapéu, Ourolandia, Piritiba, Quixabeira, São José do Jacuípe, Saúde, Serrolandia, Tapiramutá, Umburanas, Várzea da Roça, Várzea do Poço e Várzea Nova, na região vivem cerca de 379.572 habitantes fixos e uma população flutuante que gira em torno 10.000 habitantes.

 

Figura 2: Macrorregião de Saúde Centro-Norte – Microrregião de Jacobina.

 

Os indicadores apontam para assistência à saúde insuficiente na cidade. Segundo os dois últimos dados do SISPACTO, a cobertura populacional da Estratégia Saúde da Família foi de 65% inferior à meta preconizada pelo Estado da Bahia que é de 73,04 % (MS – Brasil 2011) A cobertura de consultas de pré-natal também está abaixo da meta preconizada pelo Estado da Bahia 46,1%, onde somente 40% das pacientes conseguem realizar sete ou mais consultas. No que se refere aos exames citopatológicos cérvico-vaginais na população de mulheres de 25 a 59 anos a cobertura foi de 0,08 bem inferior à meta de 0,23 resultado que, em parte, se deve à baixa cobertura populacional da Estratégia Saúde da Família. Além das coberturas insuficientes, existem equipes incompletas, onde faltam, inclusive, médicos.

– O percentual de crianças nascidas com baixo peso foi de 8,6% em 2009, percentual alto considerando o valor esperado em países desenvolvidos, que está entre 5 e 6%.

– O número de partos realizados em mulheres com sete ou mais consultas de pré-natal no período de 40%. ainda está abaixo do pactuado pelo Estado da Bahia que foi de 41,4% em 2011.

– Apesar da taxa de mortalidade infantil ser baixa no município 39,2% em 2011(para 1000 nascidos vivos), há uma maior concentração de óbitos neonatais, relacionada, entre outros fatores, à inadequada assistência ao pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. Além disso, o número absoluto total de óbitos ocorridos em menores de um ano, 25 em 2009 foram por causas consideradas evitáveis.

Com relação à mortalidade materna que foi de 60 o que é considerado alta se considerarmos que no Brasil essa taxa é de 55 óbitos maternos por 100.000 nascidos.

A Faculdade AGES ao longo de seus 13 anos de existência tem contribuído de maneira efetiva para a formação de profissionais de alto nível e com a geração de conhecimentos, participando ativamente na resolução de problemas da sociedade e no desenvolvimento científico, tecnológico e sociocultural do Brasil. É conhecida nacionalmente pela excelência de seus cursos de graduação nas diferentes áreas do conhecimento. Evocando a sua responsabilidade social, tem como postulado central a integração de seus cursos da área da saúde e em particular o Curso de Medicina com a gestão local e regional do Sistema Único de Saúde (SUS) e a contribuição para a melhoria da qualidade de vida do indivíduo, da família e da comunidade.

Compromete-se ainda em contribuir na qualificação da atenção à saúde como consequência da capacitação permanente dos profissionais da área em seus diversos níveis.

 

Tendo em vista os indicadores anteriormente descritos, o Curso de Graduação em Medicina da Faculdade AGES pretende formar profissionais qualificados para as demandas do mundo de trabalho, por considerar desde a sua origem que o ato pedagógico carrega implicações sociais e está marcado pela prática social de cada momento histórico. Além disso, acreditamos que um projeto pedagógico para se materializar, precisa acompanhar a dinâmica social e o galopante avanço tecnológico, sem se distanciar, em nenhum momento, dos valores humanos. Considerando que atualmente a demanda por profissionais da área de saúde concentra-se prioritariamente nas Estratégias de Atenção Básica em Saúde e considerando também o perfil do egresso e os objetivos do curso de medicina, é possível vislumbrar que há um impacto social importante nesta demanda.

Como estratégia para este impacto social, o curso de medicina desenvolverá atividades focadas na Estratégia de Saúde da Família, nas Clínicas da Família do município de Jacobina e cidades da região e na rede local de atenção básica.

A proposta pedagógica tem a empregabilidade, a sustentabilidade e o empreendedorismo como pilares estratégicos para a melhoria da qualidade de vida, bem como orientar a formação de nossos discentes em consonância aos requisitos do adequado desempenho profissional e prepará-los para assumir papel ativo numa sociedade marcada pelo multiculturalismo, pela pluralidade e pela rapidez das transformações. Nessas premissas que a Faculdade se baseia para realizar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, que a levam para além da sala de aula, incluindo-se, também, nesse contexto, os indispensáveis projetos de ações assistenciais que potencializam a responsabilidade social presente no cotidiano da instituição.

O desenvolvimento das atividades práticas de disciplinas/módulos em diferentes cenários e nos projetos de extensão e pesquisa desenvolvidos por docentes e discentes, não somente do Curso de Medicina, mas também dos demais cursos da Saúde, levam aos diferentes atores a perspectiva de um trabalho coletivo (academia, serviço e comunidade), na busca de estratégias para a minimização dos problemas do cotidiano e o exercício pleno da cidadania.

A Faculdade AGES pretende ainda participar dos projetos do Ministério da Saúde que focam a reorientação da formação profissional de saúde. A participação nestes projetos, ao mesmo tempo em que contribui para a readequação da formação profissional, também possibilita aos alunos a vivência e inserção prática na lógica da Estratégia de Saúde da Família. Além disto, o desenho curricular do curso possibilita ao aluno conhecer os diferentes níveis de atenção à saúde, o que inclui a vivência da importância de cada um destes níveis para a assistência, assim como permite que ele conheça os diferentes campos de atuação do médico. Assim, o egresso do curso de medicina tem a possibilidade de ter uma percepção das demandas dos diferentes níveis de atenção à saúde, estando apto a atuar na atenção básica ou a optar por uma especialização que responda às demandas de saúde e ao mercado de trabalho.

Por fim, é importante destacar que alguns dos futuros egressos do curso de medicina da AGES serão oriundos de outros Estados e Municípios e, destes, muitos retornarão aos seus locais de origem, inserindo-se nas redes locais de atenção à saúde, tendo sido adequadamente capacitados ao longo do curso.

 

A necessidade de transformação na educação médica brasileira

 

Nesta seção, em primeiro lugar, apresenta-se um breve histórico da Educação Médica no Brasil e na Bahia, buscando compreender as raízes do modelo de educação médica hospitalocêntrica e especializada, hegemônico na conjuntura brasileira atual. Em segundo lugar, discutem-se as bases histórico-institucionais do Sistema Único de Saúde, resultante de intensa luta política por políticas públicas capazes de atender às necessidades sociais de saúde da sociedade brasileira.

Como se analisa em maior detalhe na seção seguinte – Subsídios para Justificativa da Proposta, a educação médica brasileira, por um lado, articula-se de modo deficiente ou distorcido à formação de outros trabalhadores de saúde e, por isso, não consegue formar profissionais capazes de trabalhar em equipe. Por outro lado, o modelo de formação predominante no país não tem conseguido graduar médicos com uma atitude analítico-crítica perante o conhecimento prático aplicado ao cuidado em saúde, efetivamente preparados para a educação permanente necessária ao constante aperfeiçoamento e à atualização continuada da capacitação científica e tecnológica.

Organização curricular

CÓDIGO

1º ANO – 1º  PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 101 Introdução ao Estudo da Medicina

54

36

90

60 min

MD 102 Concepção e Formação do Ser Humano

64

44

108

60 min

MD 103 Metabolismo

76

50

126

60 min

IESC 101 IESC-I (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade)

58

86

144

60 min

HCB 101 HCB – I (Habilidades Clínicas e Bioética – I)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

 CÓDIGO

1º ANO – 2º   PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 104 Funções Biológicas

76

50

126

60 min

MD 105 Mecanismos de Agressão e Defesa

64

44

108

60 min

MD 106 Abrangência das Ações de Saúde

54

36

90

60 min

IESC 102 IESC – II (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – II)

58

86

144

60 min

HCB 102 HCB – II (Habilidades Clínicas e Bioética – II)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

CÓDIGO

2º ANO – 3º   PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 201 Nascimento, Crescimento e Desenvolvimento

54

36

90

60 min

MD 202 Percepção, Consciência e Emoção

64

44

108

60 min

MD 203 Processo de Envelhecimento

76

50

126

60 min

IESC 201 IESC – III (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – III)

58

86

144

60 min

HCB 201 HCB – III (Habilidades Clínicas e Bioética – III)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

 CÓDIGO

2º ANO – 4º   PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 204

Proliferação Celular

76

50

126

60 min

MD 205

Saúde da Mulher, Sexualidade Humana e Planejamento Familiar

64

44

108

60 min

MD 206

Doenças Resultantes da Agressão ao Meio Ambiente

54

36

90

60 min

IESC 202

IESC – IV (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – IV)

58

86

144

60 min

HCB 202

HCB – IV (Habilidades Clínicas e Bioética – IV)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

3º ANO – 5º PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

Dor

54

36

90

60 min

Dor Abdominal, Diarreia, Vômitos e Icterícia

64

44

108

60 min

Febre, Inflamação e Infecção

76

50

126

60 min

IESC – V  (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – V)

58

86

144

60 min

HCB – V (Habilidades Clínicas e Bioética – V)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

 

3º ANO – 6º  PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 304 Problemas Mentais e de Comportamento

76

50

126

60 min

MD 305 Perda de Sangue

64

44

108

60 min

MD 306 Fadiga, Perda de Peso e Anemias

54

36

90

60 min

IESC 302 IESC – VI (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – VI)

58

86

144

60 min

HCB 302 HCB – VI (Habilidades Clínicas e Bioética – VI)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

CÓDIGO

4º ANO – 7º  PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 401 Locomoção

54

36

90

60 min

MD 402 Dispnéia, Dor Torácica e Edemas

64

44

108

60 min

MD 403 Distúrbios Sensoriais, Motores e da Consciência

76

50

126

60 min

IESC 401 IESC – VII (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – VII)

58

86

144

60 min

HCB 401 HCB – VII (Habilidades Clínicas e Bioética – VII)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

612

 

 CÓDIGO

4º ANO – 8º  PERÍODO

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

MD 404 Desordens Nutricionais e Metabólicas

76

50

126

60 min

MD 405 Manifestações Externas das Doenças e Iatrogenias

64

44

108

60 min

MD 406 Emergências

54

66

90

60 min

IESC 402 IESC – VIII (Prática de Interação Ensino Serviços e Comunidade – VIII)

58

86

144

60 min

HCB 402 HCB – VIII (Habilidades Clínicas e Bioética – VIII)

58

86

144

60 min

SUBTOTAL

310

302

86

CÓDIGO

5º ANO – 9º  E 10º PERÍODOS (INTERNATO)

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

INT 501 Clínica Médica I

20

240

260

60 min

INT 503 Medicina de Família e Comunidade I

20

260

280

60 min

INT 502 Clínica Cirúrgica I

20

220

240

60 min

INT 504 Ginecologia-Obstetrícia

20

260

280

60 min

INT 505 Saúde Coletiva

20

260

280

60 min

INT 506 Urgência e Emergência I

20

240

260

60 min

SUBTOTAL

120

1.480

1600

60 min

CÓDIGO

6º ANO – 11º  E 12º PERÍODOS  (INTERNATO)

Teórica 

Prática

TOTAL

HORA/ AULA

INT 601 Clínica Médica II

15

185

200

60 min

INT 602 Medicina de Família e Comunidade II

20

240

260

60 min

INT 603 Clínica Cirúrgica II

15

185

200

60 min

INT 604 Pediatria

20

260

280

60 min

INT 605 Saúde Mental

20

120

140

60 min

INT 606 Rural

20

120

140

60 min

INT 607 Urgência e Emergência II

20

240

260

60 min

INT 608 Estágio Eletivo

15

105

120

60 min

SUBTOTAL

145

1.455

1600

 

AC Atividades Complementares

 

 

240

TCC Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)

 

 

180

60 min

CCL Componentes curriculares livres ( Optativos)

 

 

240

60 min

CARGA HORÁRIA TOTAL

Séries – 1º ao 4 º Ano

2.480

2.416

4.896

Internato – 5º e 6º Ano

265

2.935

3.200

Atividades Complementares

 

 

240

Trabalho de Conclusão de Curso

 

 

180

Componentes curriculares livres ( Optativos)

 

 

240

TOTAL

 

 

8.756

Organização curricular

Corpo docente

  • GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – UFAL
  • DOUTORADO EM CIÊNCIAS – USP
  • GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA – UFBA
  • MESTRADO EM ODONTOLOGIA – USP
  • DOUTORADO EM ODONTOLOGIA (PATOLOGIA BUCAL) – USP
  • GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – UFSC
  • MESTRADO EM GENÉTICA E EVOLUÇÃO – UFSC
  • DOUTORADO EM BIOLOGIA FUNCIONAL E MOLECULAR – UNICAMP
  • PÓS-DOUTORADO – INPA
  • GRADUAÇÃO EM MEDICINA – UFBA
  • ESPECIALIZAÇÃO EM RESIDÊNCIA MÉDICA – OSID E HUPES
  • GRADUAÇÃO EM MEDICINA – UFBA
  • ESPECIALIZAÇÃO EM ENDOCRINOLOGIA PEDIÁTRICA – UFBA
  • ESPECIALIZAÇÃO EM RESIDÊNCIA MÉDICA – UFBA
  • GRADUAÇÃO EM MEDICINA – UFBA
  • ESPECIALIZAÇÃO EM RESIDÊNCIA MÉDICA -UPE
  • MESTRADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE – UFBA

TCC, Avaliação e Atividades Complementares

O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é uma atividade acadêmica, regulamentada, conforme as exigências das DCNs, que sistematiza os conhecimentos adquiridos durante o curso, de acordo com as políticas institucionais e seu regulamento. O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) será desenvolvido por meio de pesquisa, individual ou em grupo, relatada na forma de trabalho científico individual utilizando as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, de acordo com o manual institucional para elaboração de trabalhos científicos, e tem como finalidade propiciar ao(s) aluno(s):

– estímulo à produção científica;

– aprofundamento temático numa área do curso;

– desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva de interpretação e aplicação de conhecimentos da formação profissional.

As Atividades Complementares permitem o aproveitamento dos conhecimentos adquiridos pelo estudante, em atividades extraclasses e compõem o currículo de todos os cursos oferecidos pela Faculdade AGES, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais. O Regulamento de Atividades Complementares da Faculdade AGES, as define como sendo a introdução de inovações tecnológicas, pedagógicas e metodológicas na operacionalização dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação, ampliando as possibilidades da interação acadêmica, flexibilização curricular, criação, produção e compartilhamento do conhecimento. São consideradas atividades que podem ser validadas como Atividades Complementares: iniciação científica, monitoria, extensão, estágio extracurricular, eventos científicos ou culturais, disciplinas pertencentes a outros cursos superiores e estudos desenvolvidos em organizações empresariais.

As diretrizes da política para as Atividades Complementares, contidas no PPI são as seguintes:

Constituir-se como atividades extracurriculares;

Possibilitar a flexibilização do currículo dos cursos;

Propiciar aprofundamento temático e interdisciplinar de acordo com a concepção dos cursos;

Enriquecer o processo formativo do aluno;

Possibilitar o desenvolvimento de habilidades, conhecimento e competências do aluno, adquiridas também fora do ambiente escolar, nas relações com o mundo, trabalho, com ações de extensão e pesquisa junto à comunidade.

 

O aluno deve integralizar, até o final do Curso, um valor mínimo de 240 (duzentos e quarenta) horas de atividades, desenvolvidas em, pelo menos, duas das três categorias nucleares (1. Ensino e Pesquisa; 2. Extensão: prestação de serviços e ações comunitárias; e 3. Eventos acadêmico-científicos), a partir do início do primeiro semestre no curso, conforme quadro demonstrativo.

 

 

ENSINO E PESQUISA

CRÉDITOS
MÍNIMO/PERÍODO OU ATIVIDADE MÁXIMO
Projetos de Iniciação Científica 25h/ano 50h
Publicações em periódicos, jornais, revistas, livros 30h/publicação 120h
Participação em Grupo de

Pesquisa e/ou

Liga Acadêmica

50h/ano 150h
Relatórios de Pesquisa 20h/relatório 20h
Produção de material educativo (folder, cartilhas, painel, álbum seriado etc.) 20h/ material 40h

 

Monitoria Oficial ou Voluntária. 80h/sem 160h
Disciplina extracurricular (cursada em outros cursos do CESUPA, afim com o currículo do Curso de Medicina) 20h/disciplina 40h
EXTENSÃO: PRESTAÇÃO DE

SERVIÇOS E AÇÕES COMUNITÁRIAS

CRÉDITOS
MÍNIMO/ATIVIDADE MÁXIMO
Serviços de Extensão Universitária– extra MISC– serviços prestados à comunidade,

vinculados a uma ação extensionista da

Instituição ou em atividades isoladas,

mediante a apresentação de declaração)

Organizador: 15h

Participante: 20h

Organizador: 60h

Participante: 80h

Palestras educativas à

Comunidade e/ou aos ACS, Feiras do

Vestibular, outras

Expositor: 4h Expositor: 32h
Estágio remunerado ou

Estágio não-remunerado

60h/semestre 180h
Atividade em entidades estudantis (Ex.:

participação no Centro Acadêmico)

30h/ano 60h

 

Desenvolvimento de atividades extra-muro

em Instituições Conveniadas, mediante a

apresentação de declaração

Organizador: 10h

Participante: 15h

Organizador: 20h

Participante: 30h

Inglês Médico Instrumental 15h/curso concluído 15h
Informática Médica 15h/curso concluído 15h
EVENTOS ACADÊMICO-CIENTÍFICOS CRÉDITOS
MÍNIMO/PERÍODO OU ATIVIDADE MÁXIMO
Congressos,

Palestras,

Jornadas,

Oficinas,

Seminários,

Simpósios,

Workshop,

Semana Acadêmica e

similares, mediante a apresentação do

resumo e certificado

de apresentação

do(s) trabalho(s).

Evento local

Organizador: 05h/evento

Expositor: 10h/trabalho

Co-autoria de

trabalho:05h/trabalho

Ouvinte: 05h/evento

Evento local

180H

Evento regional

Organizador: 15h/evento

Expositor: 20h/trabalho

Co-autoria de trabalho:

15h/trabalho

Ouvinte: 10h/evento

Evento regional

150H

Evento nacional

Organizador: 20h/evento

Expositor: 25h/trabalho

Co-autoria de trabalho:

20h/trabalho

Ouvinte: 15h/evento

Evento nacional

5 Eventos

Evento internacional

Organizador: 25h/evento

Expositor: 30h/trabalho

 

Evento

internacional

2 eventos

Jornada Acadêmica do

Curso de Medicina

Organizador: 15h/evento

Expositor: 20h/trabalho

Co-autoria de trabalho:

15h/trabalho

Ouvinte: 10h/evento

6 jornadas

A avaliação deve contemplar o desempenho dos alunos, dos professores, dos processos de ensino-aprendizagem e da gestão. O sistema de avaliação, dessa forma, deve possibilitar a retroalimentação permanente do processo de educação médica. (CINAEM, 2000).

A avaliação deve ser considerada como parte integrante do currículo e do contrato pedagógico democraticamente construído pelo professor e seus alunos. Deste modo, deve ser “construída, antes de tudo, como uma prática pedagógica a serviço da aprendizagem” (HADJI, 2001, p.9).

Assim, faz-se necessário que as reflexões e ações avaliativas estejam inseridas no âmbito do debate curricular e do currículo em si, para que esta seja compreendida como responsabilidade formativa e não apenas como prestação de contas ou atendimento às demandas da organização universitária. Isto significa que a avaliação deve ser conduzida no sentido de […] compreender tanto a situação do aluno quanto de medir seu desempenho; capaz de fornecer-lhe indicações esclarecedoras, mais do que oprimi-lo com recriminações; capaz de preparar a operacionalização das ferramentas do êxito, mais do que se resignar a ser apenas um termômetro (até mesmo um instrumento) do fracasso […] (HADJI, 2001, p. 9).

Nestes termos, a avaliação não pode ser confundida com exame. O grande compromisso da avaliação é com a qualificação da formação. A partir dessa perspectiva crítica da avaliação, recomenda-se:

  • Que sua função seja principalmente de diagnóstico-decisão-intervenção democraticamente construídos;
  • Que se transforme num instrumento de acompanhamento e reorientação do ensino;
  • Que a centralidade da sua preocupação sejam os conteúdos, atividades, valores e competências essenciais a serem aprendidos;
  • Que valorize de forma enfática a processualidade no ato de avaliar;
  • Que tenha a renegociação como um ato valoroso para se lidar com as dificuldades de aprendizagem;
  • Que a avaliação da aprendizagem do aluno seja capaz de se constituir também como uma forma de avaliação do professor, do currículo e seus atos.

A avaliação deve ter, portanto, um caráter processual, diagnóstico, formativo e somativo, constituindo-se em um processo de acompanhamento sistemático do desenvolvimento da aprendizagem do aluno. Os alunos devem participar do processo avaliativo, estabelecendo acordos com os professores e produzindo informações necessárias para retomada ou aprofundamento do processo. Isto significa ultrapassar a definição do que vai ser avaliado apenas da perspectiva dos objetivos de aprendizado estabelecidos pelo professor, mas considerando também o que é um conteúdo significativo para o aluno, ou melhor, explicitando:

No contexto educativo, a avaliação diagnóstica permite evidenciar as formas de aprender dos alunos, seus conhecimentos e experiências prévias, suas dificuldades e preconcepções, cabendo ao professor interpretar as evidências, percebendo o ponto de vista do aluno, o significado de suas respostas, os níveis de compreensão e as relações estabelecidas;

A avaliação formativa permite identificar o nível de evolução dos alunos no processo ensino-aprendizagem, produzindo informações capazes de acompanhar e modificar, quando necessário, a ação pedagógica. Neste movimento, a análise das atividades leva em conta a exigência cognitiva das atividades propostas, a detecção das dificuldades dos alunos em relação à apreensão dos conceitos e as relações não previstas. Por avaliação formativa entende-se toda prática de avaliação contínua que pretenda contribuir para a progressão, para o desenvolvimento ou melhoria da aprendizagem em curso. A intencionalidade do avaliador é que torna a avaliação formativa, por isso ela é percebida mito mais como atitude do que como um método. Tem a finalidade de informar os dois principais atores do processo: o professor, que será informado dos efeitos reais de seu trabalho pedagógico, podendo dar um encaminhamento adequado a partir disso, e o estudante, que poderá tomar consciência das dificuldades que encontra e assim, tornar-se capaz de reconhecer e corrigir ele próprio seus erros;

Na dimensão somativa da avaliação busca-se uma síntese de um tema, módulo ou curso, sendo o momento de reconhecer os alunos que alcançaram os resultados esperados, as competências, os conhecimentos e habilidades previstas. Essa dimensão legitima a promoção dos educandos, a partir dos resultados da avaliação processual sobre as condições do seu desempenho.

 

Processo de avaliação

Os módulos interdisciplinares serão avaliados de forma integrada, mas sem perder de vista as especificidades dos conteúdos específicos. Isto significa que cada avaliação deverá incluir os conteúdos específicos de cada área, devendo o aluno obter no mínimo 7(cinco) em cada um destes conteúdos para ser aprovado.

 

Instrumentos de avaliação

Estes devem ser múltiplos e variados, planejados e abertos à reconstrução. A construção dos instrumentos de avaliação deve ser conjunta entre docentes e discentes e deve refle tiro processo pactuado de avaliação. A seguir, alguns tipos de instrumentos que deverão fazer parte do processo de avaliação:

I – AULAS ESTRUTURADAS: Ao final de cada Aula Estruturada, o estudante, individualmente, fara uma SINTESE PROVISÓRIA com os registros das Competências Construídas e necessidade de Aprofundamento de Estudos.

As sínteses serão consideradas como recursos para consultas durante o processo de estudos individuais e coletivos no grupo tutorial, avaliações e para organização dos seminários ao final de cada SETAC e durante as avaliações classificatórias, provas de 50% e 100%.

 

II – ENCONTRO EM GRUPOS TUTORIAIS: Ao final de cada encontro em Grupo Tutorial, o estudante, individualmente, fara uma SINTESE PROVISÓRIA com os registros das Competências Construídas e necessidade de Aprofundamento de Estudos.

O desempenho do grupo e seus membros será avaliado entre os pares, com intervenção dos tutores.

O instrumento de avaliação contemplará o registro de ações de ensino-aprendizagem que possam contribuir para a formação do estudante a partir do conhecimento construído.

 

III – SEMINARIOS TEMATICOS: Ao final de cada Seminário Temático ou Integrado, o acadêmico, individualmente, fara uma SINTESE PROVISÓRIA com os registros das Competências Construídas e necessidade de Aprofundamento de Estudos sobre os estudos da SETAC.

 

IV – PRATICAS DE INTEGRAGRACAO ENSINO, SAUDE E COMUNIDADE: Ao final de cada de cada AÇÃO pratica, nas unidades de saúde ou comunidade, o estudante fará uma SINTESE PROVISÓRIA com os registros das Competências Construídas e necessidade de Aprofundamento de Estudos para ações profissionais alusivas aqueles cenários observados ou praticas profissionais executadas.

 

V – LEITURAS COMPLEMENTARES: Visando garantir o perfil profissional do egresso da Faculdade de Medicina AGES além das leituras básicas, previstas na bibliografia, a cada semestre, por indicação do Colegiado o estudante fara a leitura de no mínimo 05 obras, uma por modulo, sobre temas clássicos ou emergentes não previstas no projeto. O produto dessa leitura será um fichamento por obra lida e uma Produção Acadêmica Única – PU.

 

VI – PROVAS DE 50% E 100%: Após a metade do semestre letivo e ao final será aplicada uma prova teórica, cumulativa, somativa, progressiva, interdisciplinar ou por módulo, valendo 10 pontos, com consulta, para avaliação das competências construídas.

 

VII – CENARIOS DE PRATICAS SIMULADAS (morfofuncionais) e PROFISSIONAIS (Unidades de Saúde): Ao final de cada de cada AÇÃO pratica, em cenários de simulação ou nas unidades de saúde/comunidade, o estudante fará uma SINTESE PROVISÓRIA com os registros das Competências Construídas e necessidade de Aprofundamento de Estudos.

Ao final do modulo será aplicada uma avaliação pratica, interdisciplinar ou individual por modulo temático.

 

Sistema de Avaliação do Processo Ensino Aprendizagem

A avaliação deverá estar coerente com a concepção pedagógica do curso que busca privilegiar metodologias críticas e reflexivas que contribuam para a construção de conhecimentos e competências para que o profissional seja capaz de atuar de forma consciente, contextualizada e integrada. É, portanto, parte fundamental do projeto pedagógico, interferindo no próprio desenvolvimento do curso.

A avaliação é um procedimento solidário ao desenvolvimento do processo de construção do conhecimento e pautado no diálogo entre os sujeitos do processo ensino-aprendizagem. Sob essa ótica, avaliar implica em acompanhamento contínuo das experiências de aprendizagem apresentadas e, principalmente, o estabelecimento de estratégias educativas que sejam capazes de possibilitar a recuperação do acadêmico no processo, respeitando a individualização dos percursos de formação.

Sob essa perspectiva, a avaliação será, assim, formativa e somativa. Na avaliação formativa será utilizada a autoavaliação, e a avaliação realizada pelos demais membros do grupo ou equipe de trabalho sobre o desempenho/atuação de cada um. Na avaliação somativa do estudante, busca-se avaliar os saberes e a prática profissional relacionados ao desenvolvimento de habilidades e competências dentro dos objetivos do programa.

As avaliações com características predominantemente formativas serão realizadas verbalmente durante e ao final das atividades de ensino-aprendizagem, permitindo a correção de fragilidades e a melhoria em processo. Uma síntese dessas avaliações será formalizada de maneira escrita em documentos específicos, a cada final de módulo, assumindo características somativas.

 

Avaliação Formativa:

Tem o objetivo de acompanhar o processo de aprendizagem do aluno, observando-se os quesitos da pontualidade, assiduidade, iniciativa e interesse, habilidades do trabalho em equipe e sua integração com ela, competência, responsabilidade e compromisso no cumprimento de determinações e tarefas, respeito mutuo, capacidade de gerar hipóteses, habilidade em solucionar problemas, criticar com objetividade e constitui-se de:

 

  1. Avaliação e discussão das provas cognitivas:

Ocorre após a correção das provas somativas, com o fornecimento do gabarito e discussão das questões, para que o aluno possa fazer uma reflexão dos seus erros e acertos.

 

  1. Avaliação e discussão das provas de habilidades e competências: “feedback”:

A discussão das provas práticas de habilidades e competências acontece durante a realização da prova ou imediatamente após a sua aplicação. Quando se discute e mostra-se ao aluno que atitudes teve corretamente e quais precisam ser melhoradas. Além disso, é possível mostrar ao aluno que habilidades precisam ser mais bem trabalhadas.

 

  1. Avaliação da IESC (Prática de Interação Ensino Serviço Comunidade):

Pode ocorrer no final ou durante o semestre na forma de portfólio reflexivo e feedbacks como descrito anteriormente.

 

Avaliação Somativa

Tem o objetivo de identificar a aprendizagem efetivamente adquirida pelo estudante e ocorre mediante a atribuição dos conceitos satisfatório ou insatisfatório nas avaliações das atividades das unidades educacionais referentes ao ano letivo, considerando a resolução própria do curso de medicina:

Satisfatório – Notas iguais ou superiores a 7,0 (sete);

Insatisfatório – Notas inferiores a 7,0 (sete).

Será aprovado no ano o estudante que obtiver conceito satisfatório nas avaliações das atividades das unidades educacionais referentes ao ano letivo e reprovado nos casos de conceitos insatisfatórios, depois de esgotadas todas as oportunidades de recuperação.

Constituem-se como elementos da avaliação somativa, para alcance do conceito final de aprovação de cada Módulo:

Avaliação Cognitiva (prova final escrita)

Avaliação dos tutoriais

Avaliação do Morfofuncional, correspondendo a 30% da nota final. A avaliação do conteúdo trabalhado no morfofuncional é realizada sob a forma de “gincana”, onde os materiais são distribuídos em bancadas numeradas com material apontado e cada bancada é ocupada por um aluno por determinado tempo. Os alunos devem ser capazes de identificar a estrutura apontada (lâmina, peças anatômicas, resultado de experimento e etc.) e responder a questões diretas sobre o funcionamento daquela estrutura, sempre que possível integradas com o conhecimento clínico. Passado o tempo, ocorre o rodízio dos alunos nas bancadas, de forma que ao final todos os alunos tenham respondido as questões em todas as bancadas. Contudo, outras formas de avaliações podem ser adotadas.

 

AVALIACOES TEÓRICAS – PROCESSUAIS

 

MODALIDADES Fichamento Portfolio Produção Única –  PU Prova

50%

 

Prova

100%

 

NOTA

TEORICA

VALORES 10%

0-10

10%

0-10

10%

0-10

Progressiva

0-10

Progressiva 70%

0-10

 

100%

Peso 70%

 

AVALIACAO PRÁTICA – PROCESSUAL

 

MODALIDADES AVALIACOES PRÁTICAS

Mínimo de 02 por Módulo.

MEDIA DAS AVALIACOES

PRATICAS

VALORES 0-10

100%

Peso 30%

 

RESULTADO FINAL

 

MODALIDADE PROCESSO TEORICO PROCESSO

PRATICO

MEDIA FINAL
VALORES/PESO 70% 30% 100%

 

 

 

 

FORMAS DE AVALIAÇÀO

A principal função da forma de avaliação é verificar o que o aluno aprendeu e tomar uma base de decisão para aperfeiçoar subsequentemente o processo ensino-aprendizagem na busca de melhores resultados. Os resultados obtidos pelos alunos na aprendizagem, nos mais diferentes momentos do trabalho, estão diretamente ligados aos procedimentos de ensino utilizados pelo professor. A verificação e a qualificação dos resultados da aprendizagem no início, durante e o final das unidades didáticas visam sempre a diagnosticar e superar dificuldades, corrigir falhas e estimular os alunos a que continuem dedicando-se ao estudo. Podemos dizer que o aproveitamento do aluno reflete, em grande parte, a atuação didática do professor. Dessa forma, o ato de avaliar fornece informações importantes que permitem verificar diretamente o nível de aprendizagem dos alunos e também, indiretamente, determinar a qualidade do processo de ensino e, conseqüentemente, o sucesso do trabalho docente. Nesse sentido, a avaliação tem uma função de retroalimentação (feedback) dos procedimentos de ensino, ou seja, fornece dados ao professor para repensar e replanejar sua atuação didática, visando o aperfeiçoamento e tendo melhores resultados no ensino –aprendizagem.

A avaliação antes possuía um caráter seletivo, porque era vista como uma forma de classificar e promover o aluno de uma série para outra. Atualmente, a avaliação assume novas funções, sendo um meio de diagnosticar e de verificar em que medida os objetivos propostos para o processo ensino-aprendizagem estão sendo atingidos, logo, a avaliação assume uma dimensão orientadora.

“No que se refere às funções da avaliação da aprendizagem, importa ter presente que ela permite o julgamento e a conseqüente classificação, mas essa não é a sua função constitutiva. É importante estar atento à sua função ontológica (constitutiva), que é de diagnostico, e, opor isso mesmo, a avaliação cria a base para a tomada de decisão, que é o meio de encaminhar os atos subseqüentes, ma perspectiva de busca de maior satisfatoriedade nos resultados”. (Luckesi 2003, p. 176).

De acordo com os estudos de Bloom (1993) a avaliação do processo ensino-aprendizagem, apresenta três tipos de funções: diagnóstica (analítica), formativa (controladora) e somativa (classificatória).

a) A avaliação diagnóstica é aquela que ao se iniciar um curso ou um período letivo, dado à diversidade de saberes, o professor deve verificar o conhecimento prévio dos alunos com a finalidade de constatar os pré-requisitos necessários de conhecimento ou habilidades imprescindíveis de que os educandos possuem para o preparo de novas aprendizagens.

“Para que a avaliação diagnóstica seja possível, é preciso compreendê-la e realizá-la comprometida com uma concepção pedagógica. No caso, considerarmos que ela deva estar comprometida com uma proposta pedagógica histórico-crítica, uma vez que esta   concepção está preocupada com a perspectiva de que o educando deverá apropriar-se criticamente de conhecimentos e habilidades necessárias à sua realização como sujeito crítico dentro desta sociedade que se caracteriza pelo modo capitalista de produção. A avaliação diagnostica não se propõe e nem existe uma forma solta isolada. É condição de sua existência e articulação com uma concepção pedagógica progressista”. (Luckesi 2003, p.82).

Este tipo de avaliação é utilizado objetivando determinar a forma pela qual o educador deverá encaminhar, através do planejamento, sua ação educativa. Estabelecerá os marcos  para tornar o processo de aprendizagem mais exeqüível e eficaz. Pode ser considerado como sendo o ponto de partida para todo trabalho a ser desenvolvido pelo educador. Em função de ocorrer antes e durante o processo ensino-aprendizagem e tendo diferentes finalidades. Sendo realizada antes do processo, objetiva sondar se o aluno apresenta os comportamentos necessários para que a aprendizagem possa ser iniciada. Ocorrendo durante o processo, será utilizada para identificar as causas das falhas de aprendizagem e possibilitar a implementação de recursos para corrigi-las.

Podemos observar que a avaliação diagnóstica possui três objetivos. O primeiro, é identificar a realidade dos alunos que irão participar do processo. O segundo, é verificar se os alunos apresentam ou não habilidades e/ou pré-requisitos para o processo. O terceiro propósito está relacionado com a identificação das causas, de dificuldades recorrentes na aprendizagem. Assim o educando poderá rever sua ação educativa para sanar os problemas.

b)  A  avaliação  formativa  é aquela  com  a  função controladora sendo realizada   durante   todo  o  decorrer  do   período  letivo, com o intuito de  verificar se os alunos estão atingindo os objetivos previstos. Logo, a a avaliação formativa visa, basicamente, avaliar se o aluno domina gradativamente e hierarquicamente cada etapa da aprendizagem, antes de prosseguir para uma outra etapa subseqüente de ensino-aprendizagem, os objetivos em questão. É através  da avaliação formativa que o aluno toma conhecimento dos seus erros e acertos e encontra estimulo para um estudo sistemático. Essa modalidade de avaliação é orientadora, porque orienta o estudo do aluno ao trabalho do professor . É motivadora porque evita as tensões causadas pelas avaliações.

Pellegrini  (2002, p.26)  informa que:   “No   modelo  de avaliação, a ênfase
está no aprender, gerando uma mudança em todas os níveis educacionais: currículo, gestão escolar, organização da sala de aula, tipos de atividades e o próprio jeito de avaliar a turma. Na avaliação formativa não há como pressuposto ou premiação. Prevê que os estudantes possuem processo e ritmos de aprendizagem diferentes”.

A avaliação formativa permite ao professor detectar e identificar deficiências na forma de ensinar, orientando-o na reformulação do seu trabalho didático, visando aperfeiçoá-lo. Ela deve ser planejada em função dos objetivos, deste modo o docente continuará seu trabalho ou irá direciona-lo, de modo que a maioria dos alunos alcance. “Ë formativa no sentido em que indica como os alunos se modificando em direção aos desejados”. (Bloom,  Benjamin 1971). Logo, para que a avaliação formativa possa se processar, devemos:

– Saber   o   que   se   quer  avaliar e a finalidade dos resultados.   Nesse sentido  deve-se  avaliar  os objetivos atingidos pelos alunos e quais os resultados que alcançaram;

– Obter as  evidências que  descrevem   os  eventos  que  nos   interessa. Goldberg (1978, p.15), faz a  seguinte   argumentação: “A   avaliação educacional é o processo de coletar, analisar  e  interpretar evidências relativas à eficácia e eficiência de programas educacionais”.

– Determinar    critérios    conforme    os    níveis   de   aproveitamento   e
diagnosticar  os  resultados  corrigindo as falhas do  processo    ensino-
aprendizagem. Landsheere (1976, p. 254),  faz  a  seguinte explanação:
“Seja  qual  for,  a avaliação  formativa  tem  por  único fim reconhecer
onde  e  em  que o aluno sente dificuldade e procurar informa-lo.  Esta
avaliação    não   se   traduz   em nota, nem muito menos em “scores”.
Trata-se de um “feedback  para o aluno e para o professor”.

– Emitir  um   juízo   de valor  que sirva de base para ações futuras. Neste aspecto, Nérice (1992) faz a seguinte consideração:

“Avaliação é o processo de ajuizamento, apreciação, julgamento ou valorização do que o educando revelou ter aprendido durante um período de estudo ou de desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem. Pode-se dizer, então, que não pode haver avaliação sem que antes tenha havido verificação. Verifica-se antes de avaliar. Uma prova, seja de que modalidade for, tem por objetivo fornecer dados sobre os quais se possa emitir um juízo de valor”. Nérice (1992. p. 311).

De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), é determinado que a avaliação seja contínua e cumulativa e que os aspectos qualitativos prevaleçam sobre os quantitativos.

Nesse sentido a avaliação é um meio ou instrumento de controle da qualidade objetivando um ensino de excelência em todos os níveis de todos os cursos.

  1. c) A avaliação somativa  tem por função básica a classificação dos alunos, sendo realizada ao final de um curso ou unidade de ensino, classificando os alunos de acordo com os níveis de aproveitamento previamente estabelecidos.

No momento atual a classificação do aluno se processa segundo o rendimento alcançado, tendo por parâmetro os objetivos previstos. Para Bloom (1983), a avaliação somativa “objetiva avaliar de maneira geral o grau em que os resultados mais amplos têm sido alcançados ao longo e final de um curso”.  Essas três formas de avaliação devem ser vinculadas ou conjugadas para se garantir a eficiência do sistema de avaliação e a excelência do processo ensino-aprendizagem.